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quarta-feira, 11 de julho de 2007

Zita Seabra e a sua verdade instrumental



Ainda sobre Zita Seabra e o seu livro agora publicado.

"Várias vezes a autora recorre à mentira fácil para conseguir um efeito, um instrumental típico do estalinismo, conhecido por verdade instrumental. Faz este tipo de truques nas coisas mais pequenas e ridículas, às vezes sem ter em conta a própria coerência da obra."

Vale a pena ler aqui.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

O ESPELHO DE ZITA

E pensei precisamente o mesmo que o Daniel Oliveira de cada resposta que Zita Seabra (friamente) dava às perguntas da Judite de Sousa nA Grande Entrevista da RTP1.
Que frieza, que calculismo desmedido, que desumanidade!!!




«Vi ontem a longa entrevista de Zita Seabra à RTP por causa do lançamento do seu livro de memórias políticas. Valeu a pena. Não para conhecer a história do PCP ou sequer para conhecer o pensamento político de Zita, se é que ele realmente existe. Foi um retrato psicológico muitíssimo interessante. Zita Seabra fez um retrato robot do militante comunista. E, para ela, esse retrato robot só pode ser o retrato do seu passado. É impossível, tem ela a certeza, que alguém fosse diferente. Se diz que era, mente.

Os militantes comunistas, todos eles, são frios, insensíveis, duros, desumanos, incapazes de sentimentos e de solidariedades que não sejam estritamente políticas. Todos estalinistas, todos obedientes, todos prontos para disparar à primeira ordem.

Uma resposta rápida a uma pergunta rápida quase passou desapercebida. E, no entanto, ela é mais esclarecedora do que tudo o resto. “Tem amigos no PCP?” Resposta sem que se tenha apercebido de como era trágica: “Não”. Dá que pensar. Alguém que dedicou toda a sua vida a um partido, que quase só tinha amizades nesse partido, diz que de meia vida não guarda um só amigo? Dirão: foi o que lhe fizeram. Ou dirão: todos a mal-trataram. Ou dirão ainda: quem sai do PCP é excomungado das relações pessoais. E a isso eu respondo que é mentira. Conheço demasiadas pessoas que saíram do PCP. Algumas de forma ainda mais traumática e em tempos mais difíceis do que Zita Seabra. Não conheço nem uma que não guarde de lá amizades para a vida. Note-se que não faço nenhum julgamento moral do facto. Era o que mais faltava. Apenas acho que ele revela uma dimensão que no caso do PCP nunca pode ser desprezada: a dimensão humana.
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Por Daniel Oliveira
Via Arrastão

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