Such a perfect night
Patti Smith em Lisboa - ------------------------Patti Smith 'People Have the Power'
"Ela já conhecia Lisboa antiqua. Andou pelo Chiado de manhã e encantou-se, uma vez mais. Em Novembro, com Sol e calor, seria previsível. Mas o essencial vinha de dentro, dela.
À noite, no Coliseu, deu um dos grandes concertos da sua vida. Arrebatada ela e arrebatados nós por ela. Lembro-me de três ou quatro concertos em que assisti a tal transfiguração, não mais. Ontem aconteceu de novo e perdurará na memória, forever.
Com sessenta e não sei quantos anos, Patti Smith dançou, largou o palco e percorreu a sala de fio a pavio, ergueu cinquentões e cinquentonas da plateia, contou histórias, disse poemas, elogiou Lisboa, fez comício anti-guerra e cantou e cantou sem parar. Cantou com aquele modo inconfundível e eterno de colocar a voz nos limites do falsete, como se tivesse trinta anos. Fê-lo durante duas horas ininterruptas, um grão de areia que pareceu nunca mais acabar.
Pediu a Lisboa que continuasse independente. Independente, ou seja, de escala humana; independente, porque ainda não tomada pelas corporations e pelos Mac Donalds. Não sou eu a interpretar, mas a senhora a dizer. Com o mesmo vigor dos anos 70. É capaz de ter idealizado, e depois? Não é essa a beleza e o risco das paixões, the dream of life?
No fim agradeceu mais ainda do que nós lhe agradecemos. A figura magra estava esgotada, mas antes disso extasiada. Acabara de dedicar ao público a canção de Lou Reed, such a perfect day. Ao segundo verso esqueceu-se das palavras, mas reencontrou-as algures pela sala. Porque People have the power. Foi bonito, muito bonito. Coisa de lua cheia.
Nota: o primeiro vídeo assinala, em condições sofríveis, o momento em que Patti Smith decidiu ir passear por toda a plateia. O segundo é de um outro concerto. Mas prova como a sua voz não perdeu qualidades com a idade"
Não fui, mas gostava de ter ido!!!!
sem muros
